sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Moto viagem Vulcão Villarrica - Pucón / Chile

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Entre Janeiro e Fevereiro de 2007 realizamos uma viagem de moto ao sul do Chile e Argentina, eu pilotando uma Hornet, e meu marido pilotando uma BMW 1100 GS. Em Pucón, no Chile, fizemos um trekking ao cume do Vulcão Villarrica, onde fizemos belas imagens de sua atividade vulcânica. Tatiane e Luciano Kremer

JUNTOS, MAS CADA UM NA SUA !!!







Viagem ao Sul do Chile e Argentina 2007

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Viagem ao sul do Chile 2007



Juntos, mas cada um na sua!

Sempre tivemos o desejo de realizar uma viagem a dois. Nas outras viagens que realizamos sempre tivemos a agradável companhia de grandes amigos, mas queríamos experimentar a sensação de liberdade que apenas uma viagem em casal pode proporcionar. Em 2003 fomos até Santiago e Viña Del Mar, eu de YBR 125 e o Luciano de GTS 1000.
Em 2005 fomos até Ushuaia, eu pilotando uma XT600 e o Luciano, a mesma GTS 1000, mas sempre em grupo. Era chegada a hora de um vôo solo.
Em outubro de 2006 começaram os planejamentos para uma viagem à região dos lagos e vulcões, no sul do Chile e da Argentina. O tempo foi passando, o roteiro sendo traçado e pronto!




As motos utilizadas ( Hornet 600 e BMW R1100GS) foram sendo revisadas e a documentação reunida.
Nossa viagem iniciou no dia 27 de janeiro de 2007. Neste primeiro dia fomos até Uruguaiana, onde pernoitamos após tomar um bom chimarrão na bela praça da cidade.
No dia 28, bem cedo, já estávamos cruzando a ponte internacional, ansiosos por realizar o sonho de viajarmos a sós, cada um na sua motocicleta.
Após os trâmites na aduana, pegamos a ruta em direção à Carlos Paz, onde pernoitamos.
No dia seguinte conhecemos o caminho conhecido como “Altas Cumbres”, nas serras de Córdoba. Uma rota muito bonita, que em menores proporções lembra a Cordilheira dos Andes, só que com mais vegetação. O caminho é sinuoso e com muitos lugares para fotografar. Na descida desta serra, desviamos São Luís, pelas rutas 20 e 142 e chegamos à Mendoza ainda com a luz do dia.
Ficamos muito bem acomodados em frente à praça principal, onde, durante a noite, ocorriam shows de artistas locais ( mágicos, trapezistas, palhaços, músicos...).
Já havíamos combinado de ficar 2 dias em Mendoza, para conhecer um pouco sobre sua gente, seus costumes. Caminhamos bastante pelas suas ruas arborizadas, fomos até o local onde ocorre a captação de água do degelo da cordilheira, que irriga a cidade. Também visitamos 2 “bodegas”, as vinícolas locais, uma de produção industrial e a outra de produção artesanal, tocada pelos proprietários. Com direito a degustação de vinhos e tudo mais!
Aproveitamos muito bem nossos dias em Mendoza. Partimos em direção à grande cordilheira, e perdemos muito tempo na burocrática aduana de Los Libertadores. Resolvemos dormir então em Los Andes.



No dia seguinte pegamos a ruta 5 em direção ao sul. Após pernoite em Chillán, saímos da ruta 5 em direção à Concepcion, para passar pela “ruta da madeira”. O caminho é muito bonito, mas com pedágios caríssimos. Em duas praças pagamos aproximadamente R$ 24,00 pela passagem das duas motos! Na ruta 5 também há muitos pedágios, mas com um valor perto de R$ 2,00 por moto.
Na altura de Temuco, o vulcão LLaima já nos dava as boas vindas! Estávamos realizando nosso sonho. Chegando a Pucón, encontramos um belo camping, à beira do lago Villarrica, e lá estava ele, lindo, imponente, com direito a fumacinha e tudo! O belo vulcão Villarrica, ativo, cuja última erupção ocorreu em 1984.
Arrumamos nossa barraca e fomos ao centro da cidade, procurar uma das agências que organizam trekkings ao cume do vulcão. Encontramos uma empresa super organizada, na avenida principal, que nos explicou todo o roteiro. Combinamos o horário para o dia seguinte. Não precisaria nem dizer que a janta quase não desceu e dormir então... Ficamos super ansiosos. Às 6 horas da manhã estávamos prontos, e nos dirigimos ao local combinado, onde o grupo, formado por 15 turistas e 2 guias se encontrou. No grupo, além de nós, havia outro brasileiro, de São Paulo, 4 americanos, 2 alemães e os demais eram chilenos.





Subimos por quarenta minutos com a van até o ponto inicial do trekking, aos pés do grande vulcão. O céu estava bem azul, o que garantiu belíssimas fotos. Até 1400 metros sobe-se de teleférico. Daí em diante é uma longa caminhada de quase 3 horas sobre a neve, que vai se transformando aos poucos em uma escalada na montanha. Ao longo do caminho há 5 pausas para descanso, onde aproveitamos para tomar água e comer frutas, cereais, sanduíches,... Sobe-se em fila indiana, onde o primeiro guia “faz a frente” e todos os outros devem pisar na pegada deixada pelo colega anterior. O problema é que alguns escorregavam no gelo, destruindo a pegada. Então era necessário criar um novo rastro, sempre cravando o “grifo”(espécie de bengala pontiaguda de metal ) a cada passada. A fila vai subindo pelo vulcão em ziguezague, pois o terreno vai ficando cada vez mais vertical. O segundo guia fica por último na fila e acompanha as pessoas com dificuldade na subida. Até o terceiro ponto de descanso parece tudo tranqüilo, só que daí em diante a subida começa a ficar cada vez mais íngreme, a neve fofinha vira gelo duro, o que não permite uma passada firme e a sensação de escorregar é bem freqüente. A temperatura muda bruscamente, o vento aumenta, o ar fica mais escasso. São 2840 metros de altitude.
Mas todo o esforço vale a pena. A sensação de vitória, de espiar a lava borbulhando nas entranhas do vulcão é única. Esquece-se todo o cansaço. Lá do alto, a vista é maravilhosa. As cidades de Villarrica e Pucón, com o lago Villarrica à direita e os vulcões Lanin e Quetrupilán à esquerda.






A descida do vulcão é em grande estilo: escorregando. O guia nos instruiu a colocar o que ele chamou de “pampers”, uma espécie de fraldão de lona, presa ao corpo sobre as grossas calças de escalada. Nos deslocamos até a primeira canaleta de gelo e daí em diante foi só diversão. O vulcão Villarrica virou um tobogã gigante. Escorregávamos sentados por 50, 100 metros e quando o embalo terminava, lá estava o guia para nos levar até o outro ponto de descida. Foram aproximadamente uma hora e meia assim. Divertidíssimo!!! Depois, mais 30 minutos de caminhada sobre os pedregulhos vulcânicos até onde a van estava nos esperando para levar de volta à Pucón. Valeu o dia! Retornamos ao camping por volta as 17 horas, super cansados, mas de alma lavada.
No dia seguinte, levantamos acampamento e deixamos Pucón para trás, em direção à Puerto Varas. Meu coração apertava cada vez que, olhando pelo retrovisor, percebia o vulcão Villarrica ficar menor. Chegamos a Puerto Varas no final da tarde, com o céu azul e o vulcão Osorno imponente. Estacionamos as motos na beira do lago LLanquihue e tiramos muitas fotos, com o vulcão ao fundo. Foi a nossa sorte: nos dois dias seguintes o tempo nublou e não era mais possível enxergar o vulcão na sua totalidade.





Arrumamos uma hospedagem super aconchegante, de frente para o lago e os vulcões. Esta opção de acomodação é bem mais em conta e existe muito no Chile e na Argentina. É um pouco mais caro que ficar em camping e muito mais barato que ficar em hotel.
Puerto Varas, assim como outras cidades da região, tem forte colonização alemã. A igreja local, um dos símbolos da cidade, foi reformada a pouco tempo, com auxílio do governo alemão.
Além do vulcão Osorno, há outros dois vulcões próximos, o Calbulco e o Pontiagudo.
Ao redor do Lago LLanquihue existem várias cidadezinhas, uma mais charmosa que a outra: Puerto Octay, LLanquihue, Ensenada, Frutillar,...e há o Parque Nacional Vicente Perez Rosales, onde se visitam os Saltos Del Rio Petrohue. Fizemos a volta no lago, passando por todas as cidades e conhecemos os saltos: passeio imperdível. Várias trilhas e passarelas nos levam à beira do rio, com suas inúmeras quedas d’água de uma cor esmeralda. O tempo estava fechado. Se não fosse por isso o cartão postal estaria completo pela presença do vulcão Osorno sobre o rio. Mas não ficamos chateados por causa disso, pois estes lugares merecem várias visitas. Breve voltaremos!
Das cidades que abraçam o lago, nos apaixonamos por Frutillar. Foi onde sentimos mais forte a colonização alemã: casas de madeira coloridas, jardins floridos com gramas bem aparadas, muitos bancos de frente para o lago e o vulcão. Frutillar parece aquelas cidadezinhas das histórias infantis, com tortas esfriando nas janelas. A respeito disso, em cada esquina há um quiosque onde vendem-se tortas variadas, conservas, cucas, tudo feito em casa. Se você está de dieta é bom não ir para lá!


Aproveitamos aqueles bancos de frente para o lago para tirar dos baús das motos nosso companheiro de jornada: o chimarrão. É incrível como um hábito como este chama tanto a atenção: muitas pessoas, locais e turistas, vinham conversar conosco a respeito desta bebida. Para acompanhar o “chima”, uma cuca de framboesa!
Puerto Varas foi nossa “cidade base” no sul do Chile. Como encontramos um bom local de pernoite, de P. Varas saíamos para nossos passeios. Foi assim para dar a volta no lago, para conhecer os Saltos de Petrohue e para conhecer Puerto Montt.
Pela ruta 215 rumamos à divisa Chile x Argentina. O caminho é lindo e as aduanas são descomplicadas. Passa-se por dentro de dois parques nacionais, um chileno ( Puyehue ) e um argentino ( Nahuel Huapi ), por Villa La Angostura e à medida que vamos nos aproximando de Bariloche, os lagos vão se revelando. Um verdadeiro show da natureza.
Tiramos mais de uma centena da fotos, a cada curva, uma nova paisagem. Deve-se passar por aí sem pressa. Entendi então o dito ...“el que se apura en la Patagonia pierde su tiempo”.
Aproveitamos bem nossa estadia na famosa cidade Argentina. Fizemos um passeio de teleférico ao Cerro Otto, onde fica a famosa confeitaria giratória. A base é fixa e as mesas giram sobre um anel que a cada 20 minutos completa uma volta. Quando você senta, está de frente para a cordilheira e em poucos minutos sua visão é do lago Nahuel Huapi e de Bariloche. É um passeio muito bacana!





Mas o passeio que não esqueceremos é o passeio ao Cerro Tronador. Ele fica a 90 km de Bariloche, em direção a El Bolson. São 45 km de asfalto e 45 km de um rípio que vai ficando bem ruim à medida que sobe as montanhas, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi.
No Cerro Tronador, há um glaciar negro, não tão grande como os de El Calafate, mas bem peculiar quanto à sua coloração. É conhecido como “Ventisqueiro Negro”. O nome “Tronador” deve-se ao ruído produzido pelas avalanches que constantemente ocorrem junto ao Ventisqueiro. É um espetáculo! E a cereja no bolo foi o vôo de dois condores sobre nós enquanto a montanha “tronava”.





A chegada aos pés do Cerro Tronador é o ápice do passeio, mas antes, durante o percurso, vamos conhecendo lugares de cinema: lagos transparentes, com água 100% potável, que espelham as montanhas nevadas ao redor. Sobre as pontes de madeira, é possível visualizar as trutas nos rios. Um lugar onde é possível escutar o silêncio. É um passeio maravilhoso, que recomendamos a todos que passarem por aquela região. Ah! E não esqueçam de comer a torta de chocolate na “casa de chá” que fica no ponto final do passeio, ao lado da Cascata Del Diablo. Dá vontade de levar para casa!



Nossas férias estavam acabando. A vontade de ficar era grande. Há muitas coisas para fazer, lugares para conhecer. Após 3 dias em Bariloche iniciamos nosso retorno. A aproximadamente 30 km de Bariloche, em direção à Neuquem, pela ruta 237, há um lugar conhecido como “Anfiteatro”. Quando você for, vai entender! A paisagem que era monocromática até ali, numa simples curva para a direita, muda da noite para o dia. Um oásis com pinheiros e outras árvores majestosas, um rio azul turqueza. Impossível passar sem parar.
Seguindo nosso caminho, passamos por lugares despovoados e, após Neuquém, paramos para dormir em General Roca. O pernoite seguinte foi em Bahia Blanca, onde comemos a “parrilla” da viagem, com direito à uma “quilmes”, é claro!
Como havíamos ficado mais dias do que o combinado no sul, achamos melhor não passar por Buenos Aires. Foi uma decisão acertada, pois assim conhecemos uma cidade na qual prometemos voltar: Luján. É considerada pelos argentinos como a Capital Nacional da Fé. Nela se encontra a descomunal Basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira das rutas argentinas. Lugar de pessoas simples, simpáticas, falantes, que nos acolheram super bem. Ficamos num hotel pequeno, mas super confortável quase em frente à Basílica, por um dos menores valores da viagem. A Basílica está sendo toda reformada, e tivemos a sorte de ver sua parte frontal completamente pronta. Em frente, estão construindo uma praça enorme, com diversos chafarizes. As bancas que vendem lembranças em frente à Basílica são padronizadas e obedecem a um rodízio de localização. A cada dia estão em um ponto diferente da praça, para que todos tenham as mesmas condições de venda.
Um dos vendedores com o qual conversamos nos impressionou. Era um senhor aposentado, que adorava viajar. Conhecia inúmeros países na América do Sul, inclusive o Brasil, e conhecia muito a Europa, onde já havia feito várias viagens de carro com a sua companheira. Falava com autoridade de lugares e manifestações artísticas de diversas regiões da Europa.






Lembramos agora de Luján com muito carinho. Um lugar encantador, com pessoas simples e especiais.
De Luján fomos à Santana do Livramento e daí para Sapucaia do Sul, nossa cidade.
Foram 7200 km percorridos em 18 dias. Um grande sonho realizado a dois, cada um na sua motocicleta!